Sobre o projeto e o tradutor
Agostinho nunca quis parecer um teólogo perfeito, muito menos se apresentar como santo. Talvez seja justamente essa sua honestidade que nos convida a ler e refletir. Em alguns momentos, me peguei lendo o texto e pensando na minha própria vida, nos meus erros e em como eu mesmo não tinha percebido a graça de Deus ou o cuidado dEle, como Agostinho descreve ao longo dos treze livros reunidos nesta edição.
Não há muito mais a se dizer sobre Agostinho além do que está registrado aqui. Esta edição deve levar o leitor a uma reflexão profunda sobre a própria história. É como uma aula sobre a forma como Deus se envolve com a humanidade, conduzindo-a aos poucos para a sua glória — seja através da adoração que recebe ou do seu julgamento justo. Tudo se volta para Deus, e a leitura de Agostinho nos ajuda a entender isso melhor. Os livros são simples, mas conseguem prender nossa atenção e nos fazem mergulhar em nossas memórias, nossos erros e na salvação que recebemos. Confissões de Agostinho é sobre isso.
Esta é a quinta tradução que faço da obra de Agostinho. Na tradução anterior, tentei incluir comentários, mas desisti ao perceber que levaria a vida toda até conseguir publicar. Esta segue um caminho diferente, mas ainda assim, é acessível e completa. Os livros não foram traduzidos palavra por palavra, como costuma acontecer. Também não quis cortar nenhum trecho só por não concordar com algumas ideias — valorizo demais a transparência e a fidelidade. Por isso, esta é uma tradução completa, feita com um método que poderíamos chamar de “dinâmico”. Mantive a beleza do texto e sua doutrina, mas usei palavras mais simples.
Literal (automática)
E em que me deleitava, senão em amar e ser amado? Mas não guardei a medida do amor, de mente para mente, o limite brilhante da amizade; mas da concupiscência lamacenta da carne e dos borbulhos da juventude, névoas se emanam que obscurecem e obscurecem meu coração, de modo que não consigo discernir o claro brilho do amor da névoa da luxúria.
Dinâmico
E o que era, afinal, que tanto me encantava? Era amar… e ser amado. Mas eu ultrapassei o limite do verdadeiro amor — aquele encontro de mente com mente, o brilho sereno da amizade. Deixei que o desejo carnal, lamacento, misturado com os impulsos impetuosos da juventude, levantasse uma névoa que escureceu meu coração. Já não conseguia distinguir a luz pura do amor da fumaça densa da luxúria.
(Confissões - Livro II.2.1)
Optei por organizar o texto em Livro, capítulo e verso. Assim, você pode fazer anotações mais específicas e citar com precisão o trecho que estiver lendo. Coloquei títulos curtos em cada capítulo, para que você tenha uma ideia do tema que será abordado. Alguns versos de Agostinho ficaram mais longos, outros mais curtos. Deixei que a estrutura refletisse um pouco o ritmo do texto original, seguindo o mesmo modelo da versão em inglês feita por Edward Bouverie Pusey (1909–1914).
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